Você gostou de ver a Anitta (NU)bank?

A semana foi cheia de opiniões diversas sobre a decisão do Nubank em colocar a cantora Anitta como conselheira no maior banco digital do mundo. A decisão do Nubank engloba alguns aspectos importantes no ambiente organizacional, na minha visão, um misto de estratégia de marketing, ESG representando a diversidade que entra no pilar social, aliás o banco declara em seu próprio site outro aspecto relevante em ESG, que são primeira instituição financeira do Brasil a zerar emissões de gás carbono. No mínimo devemos encarar o episódio, como um convite a pensarmos as novas formas de fazer gestão.

Gosto muito de olhar para situações como esta e fazer um exercício de olhar além daquilo que inicialmente estou acostumada a ver e que por vezes, em uma visão míope, me parece verdade absoluta. É fato que reconhecer que uma mulher que veio do subúrbio, que não tem formação em instituições renomadas, que canta funk e expõe seu corpo de todas as formas chegou à cadeira a que chegou não é algo fácil, principalmente por conta dos nossos vieses e julgamentos.

Outras marcas reconhecidas no mercado já se posicionaram utilizando personas midiáticas que além de marketing trazem suas experiências tais como Iza, diretora criativa dos tênis Olympikus, Manu Gavassi como head de conteúdo do gim Tanqueray e a própria Anitta como head de criatividade do Skol Beats.

Muitos torcem e torcerão o nariz para as futuras empresas que se “atreverem” a provocar uma ruptura em modelos de gestão. Somos condicionados a acreditar que conhecimento técnico é melhor que atitude ou experiência. Essa decisão nos faz refletir sobre isso. Acredito que ambos sejam importantes e interdependentes.

Ainda vinculamos muito o universo organizacional com a construção acadêmica, obviamente essa é uma condição necessária e obrigatória, porém, não é a única. Se olharmos o quadro do Board da Nubank, há cadeiras ocupadas por perfis técnicos, como a xará Anita Sands, professora da universidade americana de Princeton e ex-diretora de operações do banco suíço UBS e agora, as cadeiras passam a serem ocupadas também por personas com cases práticos e próprios, no caso a Anitta do funk, agora Nubank – isso também é diversidade, um dos pilares de investimento ESG.

Toda a ação de uma empresa precisa ter um objetivo e, neste caso, um dos objetivos da Nubank, é se aproximar dos jovens, principalmente aqueles das classes D e E. Anitta tem uma vantagem competitiva, consegue ter atenção deste público. Sem contar que a marca já traz em seu próprio naming a construção de uma cultura sem julgamentos “Nu vem de sem roupas, pelado mesmo. Traz a ideia de transparente, simples, sem preconceitos ou julgamentos”.

É fato que todo posicionamento traz uma característica comum: frustrar pessoas. As decisões nunca podem ser executadas com uma visão polianista com a intenção de agradar a todos, a prova disso foi a persistência da Magazine Luiza, em manter seu Programa Trainee para negros ainda que para o desgosto de muitos, fazia parte de sua estratégia, valores e por isso, a escolha de manter.

Nem todos irão se conectar. Cada vez mais marcas irão promover experiências que estarão diretamente vinculadas a seus próprios valores e objetivos. O que veremos daqui para frente serão modelos de gestão inovadores, diferentes e tudo que é diferente, gera polêmica.

E ninguém precisa gostar apenas respeitar, se identificar ou não. Quanto a competência da nova integrante do board, seus resultados falarão muito mais que a minha ou a sua opinião.

Pense nisso

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